| Visão de e-Saúde no Brasil versão 1.0 |
Muitas iniciativas de e-Saúde estão em curso no Brasil. No ano de 2011, o Centro de Gestão de Documentação e Informação (CGDI) do Ministério da Saúde (MS) identificou 170 iniciativas, porém, pelo devido à heterogeneidade delas, o país precisa redigir um documento de referência consensuado entre os vários atores para definir linhas gerais que explicitem o papel de cada um e para que se consiga acompanhar coordenadamente o trabalho de todos. Esse documento seria a Visão de e-Saúde no Brasil, versão 1.0, assim como Lincoln Moura, consultor da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) decentralizado no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) do MS propõem.
Por enquanto, a responsabilidade de convocar os especialistas do país
para alcançar essa ação é coordenada pelo Datasus. Já responderam a essa
proposta várias instituições como a Secretaria de Vigilância em Saúde
(SVS), a Secretaria de Atenção à Saúde (SAS), Programas de Telessaúde
Estaduais, Ministério do Planejamento, Ministério de Ciências e
Tecnologia, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Associação Brasileira de
Saúde Coletiva (Abrasco), Conselho Nacional de Secretários de Saúde
(Conass), Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde
(Conasems), Universidade de Brasília (Unb) e Universidade de São Paulo
(USP).
A maioria das atividades que estão incluídas dentro do termo e-Saúde só
precisam de multiplicação e divulgação da tecnologia de informação, uma
vez a tecnologia disponível é apenas implementar.
Porém, em e-Saúde existem atividades importantes aonde à
interoperabilidade, garantida pela identificação de padrões e por uma
consistente escolha de infraestrutura, modelos de fluxo de informação,
governo e legislação, é mandatória para o sistema funcionar.
A atividade mais importante é o cadastro eletrônico nacional (cada
usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) é identificado por pessoa física
singular e não pode ser confundida com outra). O cadastro deve
encaminhar-se e ligar-se com o registro eletrônico de saúde, que contém
os dados clínicos da pessoa física-usuário do SUS.
Os parceiros deste projeto de Visão de e-Saúde no Brasil já
estabeleceram um plano de trabalho intenso, conforme a metodologia
divulgada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) (National e-Strategy
toolkit) e já foi adaptada pelo Brasil, e baseia-se no trabalho a
distância de grupos. Em prática os grupos de trabalho devem desenvolver
quatro eixos norteadores: governo do sistema, interoperabilidade,
recursos humanos, infraestrutura.
Apesar das condições favoráveis (recursos financeiros, ótimo
planejamento, alinhamento com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a
OPAS, motivações das entidades, instituições etc.) a dimensão do Brasil é
um grande desafio. Sobre tudo é preciso entender que os maiores
usuários do registro eletrônico de saúde serão os gestores de saúde.
Eles logam, digitam, leem e analisam os dados, todos os dias e muitas
vezes por dia. Contudo a interoperabilidade vai ser pesada também na
navegabilidade (friendly-user) do sistema para eles.
O objetivo de criar um registro eletrônico de saúde de qualidade pode
ser atingido apenas com a participação dos gestores de saúde do SUS já
na altura de precoce planejamento.
Felizmente as experiências nos últimos oito anos na implementação dos
projetos de telessaúde nacionais e estaduais existem e devem ser apenas
trazidas para dentro os grupos de trabalho.