| O envolvimento OPAS/OMS com o tema |
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Em 1974, na Resolução WHA27.5, a OMS assumiria os acidentes de trânsito
como importante questão de saúde pública, sugerindo o entendimento do
problema como tal. Contudo, o tema assume grande visibilidade e ainda
maior importância a partir do atual milênio. Em 2003 estudos demandados
pelo Banco Mundial assinalaram que, entre os anos 70 e o final dos anos
90, ao mesmo tempo em que países altamente industrializados alcançavam
quedas na mortalidade no trânsito, as taxas de óbito por habitantes
cresciam em progressão alarmante em países em desenvolvimento, sendo os
prognósticos ainda menos alentadores (Kopits and Cropper, 2003).
Cifras como estas contribuíram para que no ano de 2004 a Organização
Mundial de Saúde dedicasse o Dia Mundial da Saúde à segurança no
trânsito. No mesmo ano, a OMS levou a público os resultados de um
projeto envolvendo mais de uma centena de especialistas e instituições
nas áreas de saúde, transporte, engenharia, segurança pública, educação,
entre outras.
O projeto materializou-se no relatório-referência Relatório Mundial
Sobre Lesões Causadas Pelo Trânsito, e culminou com uma inédita sessão
plenária da Assembleia Geral das Nações Unidas, acompanhada de uma
Resolução da ONU conclamando os países membros a uma ação mais vigorosa
em relação à questão da morbimortalidade no trânsito.
Este conjunto de iniciativas foi fruto de um entendimento sem
precedentes da dimensão do problema e da necessidade de seu
enfrentamento na forma de ações preventivas. O comprometimento de
setores ligados à saúde na investigação das causas dos conflitos no
trânsito – assunto historicamente relegado às áreas de transportes e
segurança pública – demorou-se em se manifestar de maneira mais intensa
até assumir que, como as cardiopatias, o câncer e as doenças
cerebrovasculares, os traumas adquiridos no trânsito devem ser
entendidos como um problema que responde bem a intervenções eficientes
(Trinca et al, 1988).
A importância do setor saúde, em função do espaço que ocupa
institucionalmente e da capacidade de, como lembram Souza, Minayo e
Franco (2007), “contagiar” outros setores e a sociedade civil, empresta à
discussão da segurança no trânsito uma força há muito reclamada e –
mais importante – enfatiza a essencialidade da vida, em contraste com
uma racionalização da questão tradicionalmente ocupada com a eficiência e
otimização dos deslocamentos veiculares (Pavarino, 2009).
Neste contexto, a OPAS e a OMS vem se envolvendo de maneira crescente e
proativa na questão das lesões e mortes no trânsito no âmbito da
prevenção das violências e traumas, trabalhando intensamente para pautar
a temática da segurança no trânsito, provendo apoio técnico e
articulando ações entre parceiros em nível regional e global (conheça aqui, mais informações acerca de projetos, programas, publicações,
eventos, redes, capacitação,e as resoluções relacionadas a prevenção e
redução das mortes e lesões no trânsito).